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Por: Luiz Augusto Gollo
Data: 15/09/2005
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Morcegos sacanas

Stephen Rossiter e quatro colegas publicam na revista inglesa Nature que está em circulação neste preciso e exato momento nos meios científicos mundiais as conclusões a que chegaram depois de 11 longos anos de pesquisa sobre o comportamento de 452 morcegos de uma colônia na região de Gloucestershire. Não pretendo eu, um pobre marquês, questionar a importância do inusitado estudo; afinal inglês sempre foi chegado a extravagâncias incompreensíveis a "nosotros". Basta lembrar a rainha Victoria literalmente riscando a Bolívia no mapa que lhe puseram diante dos olhos, com a frase célebre: "Bolívia does not exist anymore". Só porque seu embaixador em La Paz tinha passado por humilhações tão comuns nas baixas latitudes.
Voltando à batcaverna da pesquisa, os aplicados estudantes ingleses descobriram que a disputa pelo macho é tão acirrada entre os morcegos que eles transam com a parceira, a "sogra" e até a morcegona avó - o equivalente real à rainha-mãe, I presume.
Que promiscuidade! Quanta indecência! Péssimo exemplo para os filhotinhos. Deve ser esta a razão (ou será a causa?) de morcego ser tudo cara de um, focinho do outro, como caminhão cheio de japonês.
A espécie pesquisada é a "Rhinolophus ferrumequinum", morcego tipicamente europeu, encontrável em cavernas na Itália, no sudeste inglês e no sul de Gales, mas também na Ásia e até no Japão, onde as fêmeas são as populares batgueixas.
É conhecido como grande ferradura de cavalo, mede até 10 centímetros, tem envergadura de 40 centímetros e pesa uns 10 gramas. As fotos disponíveis no Google são de um bicho mais feio do que a justiça brasileira e as informações são de que ele corre risco por vários motivos, que vão dos avanços na agricultura ao turismo nas cavernas - mas nada sobre a sacanagem em família, que também pode contribuir para a extinção dos machos, pelo menos.
Entre várias páginas dedicadas ao "rhinolophus", a única referência aos seus hábitos alimentares é feita, de passagem, quando se atribui aos defensivos agrícolas o extermínio ou a fuga de insetos, donde deduzo que, fora isso, o sem-vergonha só come a morcegada de casa mesmo, ampliando a prole que vem ao mundo sem ter o que comer, como os severinos do nosso nordeste. Mas essa é outra espécie, ainda longe da extinção...

 
Luiz Augusto Gollo faz analogias descabidas e perigosas sempre que surge uma oportunidade.
   

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