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Desde de seu nascimento em Brasília a banda Casa de Farinha coloca como ponto principal de seu trabalho a valorização da diversidade cultural, e o cruzamento entre as influências vindas de norte a Sul do Brasil, característica adquirida por quem vive em uma capital de várias faces e que dialoga com o mundo ao mesmo tempo em que forma a sua identidade cultural com a ajuda de todos os povos, assumindo características de todos os brasis, e construindo seu "sotaque" próprio em todas as vertentes artísticas.
Ainda que faça parte de uma realidade urbana, a Casa de Farinha assume na sua formação musical a influência direta da cultura popular brasileira, vista pelo grupo, independentemente de sua região, como a mesma raiz. De formações diversas como teatro, escolas de jazz, conservatório de musica, os integrantes que compõem a Casa de Farinha estabelecem uma pluralidade artística que enriquecem o processo criativo de fusão de elementos tradicionais a uma visão contemporânea, levando em consideração que a cultura não é algo imutável.
Desde os arranjos e a simplicidade dos seus cantos e melodias, de suas letras e poemas até a complexidade rítmicos proposta, a banda demonstra surgir como uma afirmação de que é possível ressaltar a riqueza de nossas tradições e inovar, utilizando elementos de nossa cultura popular.
O canto entoado por Andréa Siqueira, Claudia Daibert, Débora Aquino e Marta Carvalho (que também se revezam na percussão) dá o contraponto perfeito para a pegada pesada tocada pelos percussionistas e bateristas André Togni e Lupa. Outra característica do grupo é a ausência de instrumentos harmônicos, como pianos, violões e guitarras, utilizando-se no CD e no show somente percussão e voz.
Ser de uma cidade moderna como Brasília que se encontra em processo de formação de identidade, inclusive cultural, e ser formado por filhos de candangos, diferencia o trabalho da banda Casa de Farinha, que teve como ponto inicial à identificação das influências trazidas por estes pioneiros que construíram a capital oriunda de vários Estados, e que combinaram uma infinidade de costumes, culturas e comportamentos que vem traçando o perfil de quem nasce ou mora em Brasília. Em um segundo momento o trabalho se expandiu para conhecer algumas regiões e manifestações tradicionais do Brasil, e destes levantamentos se originou o primeiro CD e show do grupo.
Débora Aquino-Atriz, palhaça, diretora, produtora e arte-educadora, fundadora dos grupos teatrais Celeiro das Antas em 1992 e Ossos do Ofício em 2002, desenvolve projetos nas respectivas áreas desde 1988, tendo em 1991 ingressado fortemente na área de Educação Ambiental. Foi diretora regional de cultura da cidade de Taguatinga do D.F nos anos de 1995 a 1997.
Chegaí - Por que vocês escolheram, na sua formação musical, ter como influência direta, a cultura popular brasileira?
Débora Aquino - Está passando por um momento de fragilidade em relação à cultura brasileira. É impossível entrar na globalização sem que conheçamos a nossa própria cultura. Como trabalhamos com pesquisa e é um vasto campo de timbres e sons, estamos fortalecendo esse lado cultural. Há mais conteúdo do que se fosse toda voltada para a cultura inglesa. E todo já tem uma certa facilidade em pesquisar de tanto escutar a avó, o avô com grandes clássicos da música brasileira...
Chegaí - Uma característica do grupo é a ausência de instrumentos harmônicos, utilizados no CD e no show somente percussão e voz. Por que essa escolha diferente de cantar apenas com o acompanhamento de percussão?
Débora Aquino - Porque todos os outros grupos falam da linha contemporânea, colocando guitarra, violão, não é o nosso caso. Nos pesquisamos som dos tambores e no som não entra outro instrumento, o que não dá pra fazer com a percussão, nós fazemos com a boca.
Chegaí - Como foi ganhar o Prêmio Tim como melhor banda regional?
Débora Aquino - Quem faz a seleção é a própria equipe da Tim. Não se sabe como chegamos a eles! Só ficamos sabendo a partir da segunda etapa que pediram pra gente mandar 21 CDs a cada jurado. A surpresa foi grande! Nós competimos com grandes bandas com Trio Nordestino, que está na estrada a mais de 30 anos e já tem vários CDs e LPs, Araketu, uma banda também nordestina, que está na estrada há vários anos e por ter uma gravadora, que é a Sony, e por ter projetos especiais referentes à cultura baiana, ainda mais por sermos uma banda independente. Brasília é uma cidade que representa toda a cultura e a Casa de Farinha trabalha todas as regiões do país. É uma banda independente e isso é o mais interessante, uma verdadeira vitória para o mercado musical de Brasília esse prêmio.
Chegaí - Como está o projeto de transformar o disco independente em álbum de distribuição nacional?
Débora Aquino - Nós já temos uma distribuidora, que é a TRATORI. A nossa banda é especifica de um projeto específico. Em Setembro vamos começar a gravar o nosso segundo CD, e será lançado até Novembro e distribuído a todas as lojas.
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