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Brasília:
um sonho que levou quase 200 anos para se concretizar
Ainda em 1810, no período da Inconfidência
Mineira, já havia o desejo do povo e seus governantes
de fixar o governo federal longe dos portos e assim
garantir a segurança do país. Neste mesmo
ano, com a promulgação da Primeira Constituição
Republicana do Brasil, a nova capital começou
a sair do papel e uma área inicial de 14 mil
quilômetros quadrados foi demarcada no Planalto
Central para a sua construção.

O Congresso Nacional. À
direita, o Supremo Tribunal Federal
Fonte: Arquivo Público do DF - Cedida por: Auguto
Areal
Em 1892, a então
nomeada Comissão Exploradora do Planalto Central
do Brasil, integrada por médicos, geólogos,
botânicos e liderada pelo astrônomo Luiz
Cruls; percorreu mais de quatro mil quilômetros
do Planalto Central elaborando um levantamento minucioso
sobre a topografia, o clima, a geologia, a flora, a
fauna e os recursos materiais da região. A área
estudada ficou conhecida como Quadrilátero Cruls,
apresentada em 1894 ao Governo Republicano.
Após muitos
anos sem atitudes concretas, a Constituição
de 1946 determinou que outro estudo fosse feito para
a localização da nova capital. A Comissão,
nomeada em 1948 pelo então presidente Eurico
Gaspar Dutra, constatou que o melhor local seria o Quadrilátero
Cruls, mas somente em 1955 foi delimitada uma área
de 50 mil quilômetros quadrados - o atual Distrito
Federal.
A construção
da nova capital teve início em abril de 1956,
sob o comando do então presidente Juscelino Kubitschek
de Oliveira, que fez a sua primeira visita ao Planalto
Central. O sonho da nova capital estava mais próximo.
Com a criação da Companhia Urbanizadora
da Nova Capital (Novacap) e o projeto de lei 2874, o
governo lançou o edital do Concurso do Plano
Piloto, que buscava examinar projetos arquitetônicos
para a capital.
O projeto vencedor
foi o de Lúcio Costa, que juntamente com Oscar
Niemeyer recebeu a incumbência de tirar a capital
do papel. O grupo de arquitetos encabeçado por
Niemeyer e Costa conseguiu, em curto espaço de
tempo, projetar todos os prédios públicos
e grande parte dos residenciais. A solução
urbanística de Lúcio Costa partiu do traçado
de dois eixos cruzando-se em ângulo reto, como
o sinal da cruz. Um deles, o Eixo Rodoviário,
foi levemente arqueado para dar à cruz a forma
de um avião, e as áreas residenciais do
Plano Piloto foram chamadas de Asa Norte e Asa Sul.
O corpo do avião tornou-se o Eixo Monumental,
com 16 quilômetros de extensão, abrigando
no lado leste os prédios públicos e palácios
do Governo Federal; no centro, a Rodoviária e
a Torre de TV; no lado oeste, os prédios do Governo
do Distrito Federal.

Niemeyer,
Israel Pinheiro, Lucio Costa e JK: pais de Brasília
Fonte: Arquivo Público do DF - Cedida por: Auguto
Areal
Em fevereiro de
1957 começaram as obras - nesta época
já haviam sido construídos o aeroporto
e o Palácio da Alvorada. Brasília, nome
sugerido já em 1823 por José Bonifácio
em memorial encaminhado à Assembléia Geral
Constituinte do Império, foi inaugurada em 21
de abril de 1960. Apesar da tão esperada inauguração
de Brasília, a transferência de órgãos
da antiga capital (Rio de Janeiro) fica quase estagnada
durante os governos de Jânio Quadros e de João
Goulart. Brasília consolida-se como capital do
país no governo de Castelo Branco.
Anos mais tarde,
em 1987, Brasília é declarada pelo Unesco
Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade
- único monumento arquitetônico com menos
de cem anos a receber tal honraria.
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